sábado, 6 de fevereiro de 2016

Sendo gentis e leves conosco

O próprio fato de que estamos aqui, em um corpo, identificando-nos como estudantes de Um Curso em Milagres, nos diz que somos criaturas do medo, pois apenas o amedrontador vem ao sonho que é esse mundo:
O medo é a única emoção do mundo. Suas formas são muitas – chame-os do que quiser -, mas elas são uma em conteúdo... Cada [sonho] contém o medo todo, o oposto do amor, o inferno que oculta a memória de Deus, a crucificação do Seu Filho santo (As Dádivas de Deus, p. 115-116).
No entanto, apesar dos aspectos amedrontadores da estrada que leva para fora do mundo, o caminho do perdão é fácil e gentil, pois ele nos pede tão pouco. Como Jesus diz em seu curso:
Esse curso não requer quase nada de ti. É impossível imaginar outro que peça tão pouco ou que possa oferecer mais (T-20.VII.1:10-12).
Não somos solicitados a mudar a nós mesmos ou a desempenhar feitos espirituais hercúleos, mas meramente a olhar para o ego sem julgamento:
O perdão... é quieto e na quietude nada faz... Apenas olha e espera e não julga (LE-pII.1.4:1, 3-4).
Nenhum esforço é requerido, portanto, exceto para desfazer nossa resistência a esse processo gentil e fácil, nascido do medo de perder nossa identidade especial. É esse medo de ser sem especialismo que faz com que a gentileza e o perdão se tornem uma experiência de dor e dificuldade. E, no entanto, até mesmo aqui não somos solicitados a lutar contra esse medo, que é por que Jesus nos diz:
E se achares que a tua resistência é muito forte e que a tua dedicação é pouca, não estás pronto. Não lutes contigo mesmo (T-30.I.1:7-8).
Somos nós que tornamos esse processo de desfazer difícil, simplesmente por nossas reações ao ego. Recordem-se do problema original:
Na eternidade, onde tudo é um, introduziu-se uma ideia diminuta e louca, da qual o Filho de Deus não se lembrou de rir. Em seu esquecimento, esse pensamento passou a ser uma ideia séria, capaz de ser realizada e de ter efeitos reais (T-27.VIII.6:3-6).
O problema não foi a diminuta e louca ideia de ser separado de Deus, mas, ao invés disso, escolher ouvir o ego e levá-lo a sério. Extrapolando para nossas experiências diárias, o problema nunca são as formas – a manifestação externa da culpa -, mas nossas reações internas a esses problemas. Em outras palavras, não somos solicitados a negar o que nossos olhos veem, mas apenas a interpretação do ego para o que eles veem; escolher a visão em detrimento do julgamento. Portanto, pedir a Jesus para nos ajudar com nossa resistência significa olhar para ela sem julgamento. Ela não é um pecado a ser temido – “Tu não pecaste, mas tens estado equivocado” (T-19.IV-B.11:8) -, mas julgar-se por isso torna o erro um pecado, que nós acreditamos merecer punição, não correção. Nesses contextos, “lembrar-se de rir” significa ser capaz de perdoar a si mesmo por ter medo da verdade. Uma vez que todos os nossos erros são um, perdoando uma expressão, perdoamos todas. Todos os erros são um único erro; todas as correções são uma Correção – não importando suas formas:
O diminuto tic-tac do tempo no qual foi feito o primeiro equívoco e todos eles dentro desse único, também continha a Correção daquele equívoco e de todos os que vieram dentro do primeiro (T-26.V.3:6-9).
Essa compreensão é maravilhosamente libertadora, pois ela nos permite não sermos afetados pelas muitas vicissitudes do nosso mundo sempre em mutação. Não importando os eventos externos ou os humores mutáveis dos que estão ao nosso redor, podemos permanecer em paz, se assim escolhermos. Portanto, podemos ser gentis conosco, pois nossas vidas se tornam fáceis tão logo aprendemos de Jesus a unidade de todos os relacionamentos e eventos – não em forma, mas em conteúdo. Seu amor dentro de nossas mentes permanece constante, e é a fundação da nossa resposta gentil a todas as circunstâncias em nossas vidas. Portanto, somos libertados da terrível e infindável carga de tentar tornar o imperfeito perfeito, o que pode ser comparado a tentar encher uma peneira com água – uma tarefa ingrata e sem esperanças, a maior que já houve. Então, somos libertados do plano do ego para distrair nossa atenção da mente – a fonte do problema e a resposta –, para nos focalizarmos apenas no externo, junto com as dificuldades da vida no corpo. Mas, ver o problema apenas na escolha errada da mente pelo ego, e a solução apenas na escolha da mente corrigida pelo Espírito Santo, simplifica nossa vida por unificar nossa sala de aula. Jesus nos convida a compartilhar sua gentileza ao olharmos com ele para a decisão da mente, perdoando nossos erros enquanto somos gratos por nossas lições fáceis.
Se, entretanto, não formos gentis e leves conosco, capazes de olhar além das nossas expressões de medo, como poderíamos então ser gentis e leves com os outros? No final, é claro, o perdão é um – quer perdoemos outro ou a nós mesmos. Aprendendo a perdoar gentilmente nossos próprios egos, o processo de fazer o mesmo para os outros se torna fácil. E, então, nós mudamos nossa atenção para as expressões externas do nosso relacionamento especial com o ego; o meio que esse curso usa para curar a mente.” (...)
(MEIO GENTIS E TAREFAS FÁCEIS-Volume 16-Nº 2-junho 2005-Kenneth Wapnik)

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