quinta-feira, 19 de março de 2015

Como perdoar?

Realmente parece que, conforme aprendemos mais e mais a liberarmos os outros das projeções da nossa própria culpa, nós mesmos nos sentimos presos à culpa. 

Jesus nos diz que “à medida em que a acusação é retirada do que está fora, há uma forte tendência a ancorá-la no que está dentro” (T-11.IV.4:5). Mas ele vai em frente dizendo, “É difícil, à primeira vista, reconhecer que isso é exatamente a mesma coisa, pois não há nenhuma distinção entre o que está dentro e o que está fora” (4:6), e então, “A acusação tem que ser desfeita, e não vista em outro lugar” (5:3). Então, como fazemos isso?

A pergunta que você fez, “Como alguém perdoa a si mesmo?”, é muito boa, mas é realmente a pergunta errada. Pelo fato de ainda estarmos tão fortemente identificados com nossos egos, não podemos perdoar a nós mesmos, pelo menos não sozinhos (i.e., por conta própria, que é o estado do ego). 

É por isso que precisamos de Jesus ou do Espírito Santo, ou de qualquer símbolo não-julgador de amor e aceitação com o qual nos sintamos confortáveis, para olhar conosco para nossos “pecados”. Precisamos de alguém de fora do nosso sistema de pensamento baseado na culpa, que conheça a verdade sobre quem realmente somos, e a quem possamos dar nossa culpa, uma vez que a tenhamos revelado e reconhecido seu propósito e seu custo. 

Nós acreditamos que somos corpos que podem ferir e ser feridos por outros. Jesus sabe que somos espírito, o Filho impecável de Deus que é incapaz de atacar. Nós não acreditamos nisso e, de fato, não queremos acreditar, porque ainda queremos que a separação e nossa própria individualidade sejam reais. 

E então, o processo do perdão tem que envolver a união com algo ou alguém fora de nós, tal como Jesus, que sabe que a separação, o ataque e a culpa não são reais. Nós somos incapazes dessa compreensão por conta própria, por definição.

O ego, como você mesmo está experienciando, nos diz que precisamos expiar pelos nossos pecados através do sofrimento e sacrifício. Mas isso apenas reforça nossa crença em que nossa culpa é real e que Deus é um Deus punitivo, que busca vingança pelos nossos pecados muito reais. E, assim, todas as nossas tentativas de conseguirmos liberação através da expiação são apenas formas de mágica que deixam de se dirigir ao problema real na mente. 

Nós precisamos entender que o problema não é a culpa que acreditamos estar experienciando pelas nossas transgressões aqui no mundo. Aqueles “pecados” são realmente distrações deliberadas, servindo ao propósito de manter nosso foco aqui no mundo, buscando soluções mágicas para liberarmos nossa culpa (i.e., fazendo correções) ou para evitarmos experienciá-la (i.e., vícios). 

Mas isso apenas nos impede de olharmos mais profundamente para dentro de nossas mentes, para a fonte real de toda a nossa dor e culpa (e a de todos os outros) – a crença em que destruímos o Amor, para estarmos por conta própria. 

No entanto, se pudermos nos unir a um reflexo daquele Amor, tal como Jesus ou o Espírito Santo, e olharmos para nossas auto-acusações com sua presença amorosa ao nosso lado, vamos ter que entender em algum nível que não destruímos o amor. 

E, nesse reconhecimento, o perdão real – pelo que nunca aconteceu – é possível, dissolvendo toda culpa e liberando-nos da nossa prisão auto-imposta. E assim, qualquer ação ou comportamento, se houver algum, pode ser o mais útil e curador em resposta às nossas assim chamadas transgressões contra outros no mundo, e vão simplesmente fluir através de nós.

Perguntas e Respostas - UCEM - FACIM OUTREACH

Tradução de Eliane F. Oliveira